{"id":543,"date":"2017-06-26T00:00:00","date_gmt":"2017-06-26T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.rogeriocastilho.com.br\/2017\/06\/26\/descubra-as-mentiras-que-o-seu-cerebro-conta-para-voce\/"},"modified":"2017-06-26T00:00:00","modified_gmt":"2017-06-26T03:00:00","slug":"descubra-as-mentiras-que-o-seu-cerebro-conta-para-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/2017\/06\/26\/descubra-as-mentiras-que-o-seu-cerebro-conta-para-voce\/","title":{"rendered":"Descubra as mentiras que o seu c\u00e9rebro conta para voc\u00ea"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"article-subtitle\" style=\"font-weight: 300;color: #4e4e4e\">Voc\u00ea n\u00e3o toma as pr\u00f3prias decis\u00f5es &#8211; e boa parte do que v\u00ea n\u00e3o \u00e9 real. \u00c9 apenas uma ilus\u00e3o criada pelo seu c\u00e9rebro, que passa 4 horas por dia enganando voc\u00ea<\/h2>\n<div class=\"article-author\">Por\u00a0<span><strong>Cristine Kist e Bruno Garattoni<\/strong><\/span><\/div>\n<div class=\"article-author\"><\/div>\n<div class=\"article-author\"><span>Voc\u00ea fica cego 4 horas por dia. J\u00e1 foi enganado por um r\u00f3tulo nesta semana. Tem preconceitos sobre todos os assuntos (por mais que ache que n\u00e3o). Toma decis\u00f5es irracionais, que v\u00e3o contra os seus interesses. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 no controle da pr\u00f3pria mente. Mas n\u00e3o se preocupe: voc\u00ea \u00e9 normal. N\u00e3o \u00e9 maluco e possui um c\u00e9rebro perfeito, como o de qualquer outra pessoa. S\u00f3 que ele inventa coisas para iludir voc\u00ea. N\u00e3o \u00e9 por mal. \u00c9 s\u00f3 uma maneira de economizar energia.<\/span><\/div>\n<div class=\"article-author\">\n<p>O c\u00e9rebro humano \u00e9 o objeto mais complexo do Universo. Tem 86 bilh\u00f5es de neur\u00f4nios, que podem formar 100 trilh\u00f5es de conex\u00f5es. Se fosse poss\u00edvel criar um computador com o mesmo n\u00famero de circuitos do c\u00e9rebro, ele consumiria uma quantidade absurda de eletricidade: 60 milh\u00f5es de watts por hora, segundo uma estimativa de cientistas da Universidade Stanford. Isso \u00e9 o equivalente a 0,4%\u00a0de toda a energia produzida pela usina de Itaipu, uma das maiores do mundo.\u00a0Mas o c\u00e9rebro humano gasta pouqu\u00edssima eletricidade\u00a0\u2013 20 watts, menos que uma l\u00e2mpada. E mesmo assim consegue fazer coisas extremamente sofisticadas, de que nenhum computador \u00e9 capaz.<\/p>\n<p>S\u00f3 que isso tem um pre\u00e7o. O seu c\u00e9rebro n\u00e3o consegue analisar as situa\u00e7\u00f5es de forma completamente racional, avaliando todas as vari\u00e1veis envolvidas em cada caso. Para fazer isso, ele precisaria de ainda mais circuitos \u2013 e muito mais energia. Mas, ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, a natureza encontrou uma solu\u00e7\u00e3o: o c\u00e9rebro pode mentir para seu dono. Sim, mentir. Descartar informa\u00e7\u00f5es, manipular racioc\u00ednios e at\u00e9 inventar coisas que n\u00e3o existem. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel simplificar a realidade \u2013 e reduzir drasticamente o n\u00edvel de processamento exigido dos neur\u00f4nios. \u201cS\u00e3o efeitos colaterais do funcionamento normal do c\u00e9rebro\u201d, diz Suzana Herculano-Houzel, neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7a pela vis\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o percebe, mas o c\u00e9rebro edita o que voc\u00ea v\u00ea. Das 16 horas por dia que uma pessoa passa acordada, em m\u00e9dia, 4 horas s\u00e3o preenchidas por imagens \u201cartificiais\u201d \u2013 que n\u00e3o foram captadas pelos olhos, e sim criadas pelo c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>O olho humano s\u00f3 capta imagens com clareza em uma pequena parte, a f\u00f3vea, que tem 1 mil\u00edmetro de di\u00e2metro e fica no centro da retina. Ent\u00e3o, para compor a linda imagem que voc\u00ea est\u00e1 vendo agora, os seus olhos est\u00e3o constantemente em movimento. Eles focam determinado ponto e depois pulam para o ponto seguinte. Cada um desses saltos tem dura\u00e7\u00e3o de 0,2 segundo. Quer comprovar isso na pr\u00e1tica? Na pr\u00f3xima vez em que voc\u00ea estiver conversando com uma pessoa, preste aten\u00e7\u00e3o nos olhos dela. Voc\u00ea ir\u00e1 perceber que eles se movimentam o tempo todo para escanear v\u00e1rios pontos do seu rosto.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a cada pulo desses, enquanto os olhos est\u00e3o se movendo para a pr\u00f3xima posi\u00e7\u00e3o, o c\u00e9rebro deixa de receber informa\u00e7\u00e3o visual por 0,1 segundo. Durante esse tempo, voc\u00ea est\u00e1 cego. E, como nossos olhos fazem pelo menos 150 mil pulos todos os dias, o resultado s\u00e3o 4 horas di\u00e1rias de cegueira involunt\u00e1ria. Voc\u00ea n\u00e3o percebe isso porque o c\u00e9rebro preenche esses momentos com imagens artificiais, que d\u00e3o a sensa\u00e7\u00e3o de movimento cont\u00ednuo. Mas que, na pr\u00e1tica, voc\u00ea n\u00e3o viu.<\/p>\n<p>Tem mais: o que voc\u00ea enxerga n\u00e3o \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo \u2013 e sim o que vai acontecer no futuro. \u00c9 s\u00e9rio. Isso acontece porque a informa\u00e7\u00e3o captada pelos olhos n\u00e3o \u00e9 processada imediatamente. Ela tem de passar pelo nervo \u00f3ptico e s\u00f3 depois chega ao c\u00e9rebro. O processo leva fra\u00e7\u00f5es de segundo, e voc\u00ea n\u00e3o pode esperar \u2013 um atraso na vis\u00e3o pode fazer com que voc\u00ea seja atropelado ao atravessar a rua, por exemplo. Ent\u00e3o, o que faz o c\u00e9rebro? Inventa. Analisa os movimentos de todas as coisas e fabrica uma imagem que n\u00e3o \u00e9 real, contendo a posi\u00e7\u00e3o em que cada coisa dever\u00e1 estar 0,2 segundo no futuro. Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea o que est\u00e1 acontecendo agora, e sim uma estimativa do que ir\u00e1 acontecer daqui a 0,2 segundo.<\/p>\n<p><strong>As mentiras invadem a raz\u00e3o<\/strong><br \/>\nCom R$ 1,10, voc\u00ea pode comprar um caf\u00e9 e uma bala. O caf\u00e9 custa R$ 1 a mais do que a bala. Quanto custa a bala? Responda r\u00e1pido. Dez centavos, certo? Errado. Voc\u00ea acaba de ser enganado pelo pr\u00f3prio c\u00e9rebro. Mas n\u00e3o est\u00e1 sozinho \u2013 mais da metade dos estudantes de universidades prestigiadas como Harvard, MIT e Princeton responderam a essa mesma pergunta e tamb\u00e9m erraram (entre alunos de institui\u00e7\u00f5es menos badaladas, o \u00edndice de erro \u00e9 ainda maior, cerca de 80%). Essa charada \u00e9 um dos exemplos citados no livro Thinking, Fast and Slow (Pensando, R\u00e1pido e Devagar, ainda sem vers\u00e3o em portugu\u00eas), do psic\u00f3logo israelense Daniel Kahneman, que ganhou o Pr\u00eamio Nobel de Economia por suas pesquisas sobre o comportamento humano.<\/p>\n<p>Para Kahneman, o c\u00e9rebro tem dois tipos de pensamento. O primeiro \u00e9 r\u00e1pido e intuitivo e confia na experi\u00eancia, na mem\u00f3ria e nos sentimentos para tomar decis\u00f5es. O segundo \u00e9 lento e anal\u00edtico \u2013 e serve como uma esp\u00e9cie de guardi\u00e3o do primeiro.<\/p>\n<p>Se estamos decidindo sobre o que comer, podemos ficar em d\u00favida entre um sandu\u00edche e um prato de feij\u00e3o. Mas por que essas duas op\u00e7\u00f5es, justo elas, surgiram como as alternativas v\u00e1lidas para o momento? Por que voc\u00ea n\u00e3o considerou um bacalhau com batatas? Por que n\u00e3o um sorvete de abacaxi? Porque o seu pensamento intuitivo j\u00e1 estava inclinado para optar pelo sanduba ou pelo feij\u00e3o e restringiu previamente as escolhas antes mesmo que voc\u00ea se desse conta de que estava chegando a hora de almo\u00e7ar. Do contr\u00e1rio, passar\u00edamos horas avaliando todas as poss\u00edveis op\u00e7\u00f5es de refei\u00e7\u00e3o \u2013 e morrer\u00edamos de fome. Se o pensamento intuitivo n\u00e3o existisse, seria extremamente dif\u00edcil escolher uma roupa ou responder a perguntas banais, do tipo \u201ccomo voc\u00ea est\u00e1?\u201d ou \u201cgostou do filme?\u201d. De certa forma, o pensamento intuitivo \u00e9 o que nos diferencia dos rob\u00f4s. E \u00e9 ele que permite ao c\u00e9rebro processar informa\u00e7\u00f5es na velocidade necess\u00e1ria. \u201cEle \u00e9 mais influente. \u00c9 o autor secreto de muitas decis\u00f5es e julgamentos que voc\u00ea faz\u201d, explica Kahneman no livro. Foi o pensamento intuitivo que apontou os dez centavos como resposta para o enigma do caf\u00e9. S\u00f3 que ele mentiu para voc\u00ea. A resposta certa \u00e9 R$ 0,05. Se a bala custasse R$ 0,10, o caf\u00e9 custaria R$ 1,10 \u2013 e o total daria R$ 1,20.<\/p>\n<p>Esse duelo entre os dois tipos de pensamento, o r\u00e1pido-intuitivo e o lento-anal\u00edtico, tamb\u00e9m tem uma explica\u00e7\u00e3o evolutiva. O c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, regi\u00e3o do c\u00e9rebro respons\u00e1vel pelo processamento l\u00f3gico, surgiu relativamente tarde na evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana \u2013 j\u00e1 as emo\u00e7\u00f5es e os instintos estavam com nossos ancestrais h\u00e1 muito mais tempo. Por isso elas s\u00e3o t\u00e3o fortes e nos influenciam tanto. \u201cA filosofia considera o ser humano um animal racional. Mas o que sabemos \u00e9 que apenas em certas circunst\u00e2ncias e \u00e0 custa de muito esfor\u00e7o conseguimos ser racionais\u201d, afirma Vitor Haase, m\u00e9dico e professor de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p>O pensamento intuitivo est\u00e1 sempre presente, at\u00e9 nas situa\u00e7\u00f5es em que a racionalidade \u00e9 supremamente importante. Um estudo de pesquisadores das universidades de Ben Gurion, em Israel, e Columbia, nos EUA, analisou o comportamento de ju\u00edzes que deveriam decidir sobre a liberdade condicional de presos (um processo r\u00e1pido, que leva 6 minutos). Em m\u00e9dia, somente 35% dos condenados ganhavam a condicional. Mas os cientistas perceberam que os ju\u00edzes eram muito mais benevolentes depois de comer. Quando eles tinham acabado de fazer uma refei\u00e7\u00e3o, a taxa de aprova\u00e7\u00e3o subia para 65%. Com o passar do tempo, a fome vinha chegando, e a concess\u00e3o de liberdade condicional ia caindo. Minutos antes do pr\u00f3ximo lanche, o \u00edndice de aprova\u00e7\u00e3o era quase zero.<\/p>\n<p>Decidir sobre liberdade condicional e julgar a pr\u00f3pria felicidade s\u00e3o tarefas complexas. Para avaliar todas as vari\u00e1veis envolvidas, muitas delas subjetivas, o c\u00e9rebro tenderia a ficar sobrecarregado. Por isso, ele usa atalhos. \u201cOs nossos problemas s\u00e3o resolvidos no piloto autom\u00e1tico, atrav\u00e9s de solu\u00e7\u00f5es que a cultura j\u00e1 embutiu no nosso c\u00e9rebro\u201d, diz Haase.<\/p>\n<p>Estudos t\u00eam revelado outra distor\u00e7\u00e3o: toda pessoa sempre tende ao otimismo, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 motivos para isso. A pesquisadora Tali Sharot, da University College London, gravou a atividade cerebral de volunt\u00e1rios enquanto eles imaginavam situa\u00e7\u00f5es banais \u2013 como tirar uma carteira de identidade. Ela tamb\u00e9m pediu que os volunt\u00e1rios pensassem em coisas do passado. Os testes mostraram que as mesmas estruturas cerebrais s\u00e3o ativadas para recordar o passado e imaginar o futuro. S\u00f3 que, ao imaginar o futuro, os volunt\u00e1rios criavam cen\u00e1rios magn\u00edficos \u2013 era o c\u00e9rebro tentando colorir os eventos sem gra\u00e7a. \u201cCerca de 80% das pessoas t\u00eam tend\u00eancia ao otimismo, algumas mais do que outras\u201d, diz ela. Para Tali, autora do livro Optimism Bias (O Vi\u00e9s do Otimismo, ainda sem vers\u00e3o em portugu\u00eas), o otimismo \u00e9 sempre mais comum que o pessimismo \u2013 seja qual for a faixa et\u00e1ria ou o grupo socioecon\u00f4mico da pessoa. Assim, nunca acreditamos que algo v\u00e1 dar errado \u2013 mesmo quando o mais racional seria pensar que sim. \u201cAs taxas de div\u00f3rcio, por exemplo, chegam a 40%, 50%. Mas as pessoas que est\u00e3o para casar sempre estimam suas chances de separa\u00e7\u00e3o em o%\u201d, exemplifica Tali. Segundo ela, a inclina\u00e7\u00e3o natural ao otimismo tamb\u00e9m \u00e9 um dos fatores que levaram \u00e0 crise econ\u00f4mica global de 2008. \u201cAs pessoas achavam que o mercado continuaria subindo cada vez mais e ignoraram as evid\u00eancias contr\u00e1rias\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Ele est\u00e1 no controle<\/strong><br \/>\nAs manipula\u00e7\u00f5es criadas pelo c\u00e9rebro afetam at\u00e9 a capacidade mais essencial do ser humano: tomar as pr\u00f3prias decis\u00f5es. Quando voc\u00ea decide alguma coisa, na verdade o c\u00e9rebro j\u00e1 decidiu \u2013 com uma anteced\u00eancia que pode chegar a 10 segundos. Uma experi\u00eancia feita no Centro Bernstein de Neuroci\u00eancia Computacional, em Berlim, comprovou que as nossas escolhas s\u00e3o resolvidas pelo c\u00e9rebro antes mesmo de chegarem \u00e0 consci\u00eancia. Volunt\u00e1rios foram colocados em frente a uma tela na qual era exibida uma sequ\u00eancia aleat\u00f3ria de letras. O volunt\u00e1rio tinha que escolher uma das letras e apertar um bot\u00e3o sempre que ela aparecesse. Os cientistas monitoraram o c\u00e9rebro dos participantes durante o experimento. E chegaram a uma descoberta impressionante: 10 segundos antes de os volunt\u00e1rios escolherem uma letra, sinais el\u00e9tricos correspondentes a essa decis\u00e3o j\u00e1 apareciam nos c\u00f3rtices frontopolar e medial, as regi\u00f5es do c\u00e9rebro ligadas \u00e0 tomada de decis\u00f5es. Cinco segundos antes de o volunt\u00e1rio apertar o bot\u00e3o, o c\u00e9rebro ativava os c\u00f3rtices motores, que controlam os movimentos do corpo. Isso significa que, 10 segundos antes de voc\u00ea fazer conscientemente uma escolha, o seu c\u00e9rebro j\u00e1 tomou a decis\u00e3o para voc\u00ea \u2013 e at\u00e9 j\u00e1 come\u00e7ou a mexer a sua m\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO indiv\u00edduo n\u00e3o \u00e9 livre para escolher\u201d, afirma Renato Zamora Flores, professor de gen\u00e9tica do comportamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O c\u00e9rebro restringe previamente as suas poss\u00edveis op\u00e7\u00f5es e, pior ainda, escolhe uma delas antes mesmo que voc\u00ea se d\u00ea conta. \u00c9 poss\u00edvel lutar contra isso. Lembra-se daquele outro tipo de pensamento, o lento-anal\u00edtico? Basta coloc\u00e1-lo em a\u00e7\u00e3o. E isso voc\u00ea consegue tendo calma, refletindo sobre as coisas e duvidando das suas escolhas e opini\u00f5es. Os truques do c\u00e9rebro s\u00e3o poderosos, mas n\u00e3o invenc\u00edveis. Agora que voc\u00ea sabe como funcionam, est\u00e1 muito mais preparado para lidar com eles \u2013 e se tornar realmente livre para tomar as pr\u00f3prias decis\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea n\u00e3o toma as pr\u00f3prias decis\u00f5es &#8211; e boa parte do que v\u00ea n\u00e3o \u00e9 real. \u00c9 apenas uma ilus\u00e3o criada pelo seu c\u00e9rebro, que passa 4 horas por dia enganando voc\u00ea Por\u00a0Cristine Kist e Bruno Garattoni Voc\u00ea fica cego 4 horas por dia. J\u00e1 foi enganado por um r\u00f3tulo nesta semana. 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