{"id":513,"date":"2016-08-16T00:00:00","date_gmt":"2016-08-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.rogeriocastilho.com.br\/2016\/08\/16\/capixaba-que-morou-em-lixao-vendeu-empada-na-praia-para-fazer-faculdade\/"},"modified":"2016-08-16T00:00:00","modified_gmt":"2016-08-16T03:00:00","slug":"capixaba-que-morou-em-lixao-vendeu-empada-na-praia-para-fazer-faculdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/2016\/08\/16\/capixaba-que-morou-em-lixao-vendeu-empada-na-praia-para-fazer-faculdade\/","title":{"rendered":"Capixaba que morou em lix\u00e3o vendeu empada na praia para fazer faculdade"},"content":{"rendered":"<p class=\"pg-color10\" style=\"font-weight: bold; color: #000000 !important;\">Thiago Varella &#8211; UOL \u00a0(16\/08\/2016)<\/p>\n<p class=\"pg-color10\" style=\"font-weight: bold; color: #000000 !important;\">\n<p>Quando crian\u00e7a, Ana Karla Nascimento Santa Ana decidiu quer iria ser advogada quando crescesse. A &#8220;certeza&#8221; veio quando viu o julgamento da personagem Ruth, na novela Mulheres de Areia. Mas, havia um problema. Ao longo da vida, essa capixaba da cidade de Serra, r<span style=\"font-weight: inherit;\">egi\u00e3o<\/span><span style=\"font-weight: inherit;\">metropolitana de Vit\u00f3ria (ES),<\/span>\u00a0ouviu de v\u00e1rias pessoas que &#8220;preto e pobre n\u00e3o estudam direito na faculdade.&#8221; No entanto, ela conseguiu. N\u00e3o s\u00f3 se formou em direito como, antes ainda de terminar o curso, passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Mas o caminho n\u00e3o foi f\u00e1cil. De fato a pobreza sempre foi constante na vida de Ana Karla. Filha de pais muito novos, assim que nasceu, ela foi morar em um lix\u00e3o. Os mais &#8220;ricos&#8221; do local viviam em casa de madeira, enquanto sua fam\u00edlia se contentava com um barraco de lona. Ao longo da inf\u00e2ncia, se mudou de uma ocupa\u00e7\u00e3o para outra. Com as mudan\u00e7as, tamb\u00e9m trocava de escola e perdia ano letivo. Dos 10 aos 14 anos ficou sem estudar. Voltou na quinta s\u00e9rie e conseguiu concluir o que ent\u00e3o era chamado de primeiro grau.<\/p>\n<div id=\"_dynad_c_I5550001555_1471375725822\">&#8220;Durante o ensino m\u00e9dio precisei trabalhar. Meus pais se separaram e minha m\u00e3e, que era faxineira, cuidava de mim e dos meus dois irm\u00e3os. Acabei abandonando a escola no segundo ano&#8221;, contou. &#8220;Aos 19 anos, casei. E no ano seguinte, separei. Me vi desempregada, sem escolaridade e com depress\u00e3o, por causa do div\u00f3rcio&#8221;, contou. O sonho de se tornar advogada ficava cada vez mais longe. Ana Karla casou-se de novo, com Sidnei Lima da Silva, e teve seu primeiro filho quando trabalhava em uma loja. No entanto, quando pediu para mudar de hor\u00e1rio para poder estudar, recebeu uma resposta que marcou sua vida. &#8220;Meu gerente disse que preto e pobre n\u00e3o cursa direito. Como a faculdade n\u00e3o era \u00fatil para a loja, ele me demitiu&#8221;, contou. Ana Karla foi trabalhar como bab\u00e1 e retomou os estudos no EJA (Ensino de Jovens e Adultos) para, pelo menos, terminar o ensino m\u00e9dio. Em 2010, com a ajuda do marido, decidiu prestar o Enem (Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio). &#8220;Ele ficou no terminal de \u00f4nibus tomando conta do nosso segundo filho, enquanto fui fazer a prova. Fiz uma pontua\u00e7\u00e3o bacana e acabei conseguindo tr\u00eas bolsas pelo Prouni&#8221;, disse. &#8220;Pensei em cursar pedagogia, j\u00e1 que preto e pobre n\u00e3o fazia direito, mas meu marido me convenceu a ir atr\u00e1s de meu sonho&#8221;, completou. Matriculada e cursando direito na Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1, Ana Karla precisou vender bala no terminal de \u00f4nibus e empadinha na praia ao lado do marido para sobreviver. &#8220;Colocava uma caixa na sombra de uma castanheira e vendia ali mesmo. Cheguei a estagiar, mas o sal\u00e1rio era baixo e valia mais a pena vender minhas coisas na rua&#8221;, disse. Hoje, Ana Karla se diz orgulhosa de ter conseguido seu diploma. Mais do que isso, antes de se formar passou no exame da OAB. No come\u00e7o do m\u00eas, teve o esfor\u00e7o reconhecido pelos vereadores de Serra e recebeu a comenda Nelson Mandela. Dentro de casa, a situa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 confort\u00e1vel. Sidnei continua vendendo bala nos \u00f4nibus da cidade para manter a fam\u00edlia e estudando para tamb\u00e9m passar no vestibular de direito. J\u00e1 Ana Karla vai come\u00e7ar a estudar para prestar concurso. O sonho futuro \u00e9 ser ju\u00edza. Por enquanto, vai tentar a defensoria p\u00fablica. &#8220;Agora, eu tenho que estudar e conseguir um emprego. Tanto faz, escrit\u00f3rio ou empresa. A porta que se abrir quero aproveitar ao m\u00e1ximo. Vou tamb\u00e9m tentar ser defensora p\u00fablica e, no futuro, ju\u00edza. Ainda existe muito preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o. Vou trabalhar contra isso&#8221;, afirmou.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thiago Varella &#8211; UOL \u00a0(16\/08\/2016) Quando crian\u00e7a, Ana Karla Nascimento Santa Ana decidiu quer iria ser advogada quando crescesse. A &#8220;certeza&#8221; veio quando viu o julgamento da personagem Ruth, na novela Mulheres de Areia. Mas, havia um problema. Ao longo da vida, essa capixaba da cidade de Serra, regi\u00e3ometropolitana de Vit\u00f3ria (ES),\u00a0ouviu de v\u00e1rias pessoas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-513","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=513"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/media\/514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rogeriocastilho.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}